12.01.2015

Planeta 61: O Aloendro da Natalia Correia.

Planeta 61: O Aloendro da Natalia Correia.: Natália Correia chamou um nome bem especial à coisa que tem os homens no meio do alandroal Aloendro, ao sexo chamou mas eles, c...

11.25.2015

11.15.2015

Os Lusíadas

Os Lusíadas Luís de Camões



Canto I

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;


A maior obra épica portuguesa completa e com todos os seus cantos.

http://oslusiadas.org/i/

10.30.2015

VENTANIA


Vento desastroso
Levanta saias,
Levanta platéias

Sacode poeira,
Folhas de goiabeira

Derruba castelos de cartas,
Casinhas de lata

Espalha cheiro de chulé,
Cheiro de café

Desmancha penteados,
Desmancha telhados

Arrasta papel,
Plástico,
Pano,
Pena,
Pêlo,
Moleque magrelo

Atrapalha a vista,
Engana o meteorologista

Prenuncia temporais,
Lama nos quintais

Assovia na curva,
Assusta a viúva

Apaga vela na pia
Arrepia

(JORGE AMÉRICO )

10.23.2015

O que você lê se transforma em você

O que significa curtir uma postagem? Você não é a mesma pessoa desde que começou a ler isto. Vamos nos modificando. E sermos pessoas melhores depende do que estamos deixando que tenha passagem livre através de nossas janelas.

Essa frase me ocorreu outro dia. E ela quer dizer muito. “Ler” aqui não significa apenas o ato de pegar um texto e decodificá-lo através da leitura. Trata-se das ideias que você concebe para si, dos aprendizados e experiências.
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Com o advento do Face, nós nos acostumamos a “curtir” alguma coisa que publicam, mas ainda não temos a chance de “não curtir” da mesma forma o que não gostamos, pois não há a mãozinha sinalizando o polegar para baixo (dizem que já existe por aí).
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Bem, porém, aquilo que lemos, ou a imagem que vemos antes de clicar em curtir precisa achar consonância, em nós, com o que concordamos sobre determinado assunto. Ou mesmo, com aquilo que achamos engraçado Quando nos identificamos com algum tipo de leitura, filme, ambiente, jeito de ser, etc, isso diz muito sobre a nós. Não é à toa que tendemos a nos aproximar de quem tem gostos parecidos com os nossos.
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Parece brincadeira, mas tudo o que aprendemos se transforma em nós. Por isso o título dessa pequena reflexão. Nosso cérebro vai criando novas conexões, à medida do nosso aprendizado e experiências. Por isso, ao meu ver, seja tão importante ler sobre vários assuntos. Mas, procurar uma linha de raciocínio o mais próximo da verdade, da realidade, mais coerente. Algo do tipo “matemático”, onde as premissas precisam dizer muito das conclusões. Como?
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Procurando conhecer quem escreveu tal livro, disse tal coisa, ou dirigiu tal filme e em que circunstâncias isso aconteceu. Suas convicções, seu ponto de vista sobre assuntos importantes. Todos têm algo bom a ensinar. Mas, o assunto principal em pauta é o que importa na sua escolha.
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É como uma ideia que se multiplica e que acaba sendo absorvida por muitos sem questionamento. Esse é o perigo de algumas ideologias. Quando entramos em uma discussão com “quem entende do assunto”, é importante tentarmos enxergar os vários pontos de vista entre os especialistas. A partir daí, vamos construindo nossa própria opinião.
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Irão surgir dúvidas. Que elas surjam! Pois, é a partir delas que podemos formular uma “certeza”. As certezas não precisam ser fechadas em si mesmas, para não corrermos o risco de nos tornarmos “convictos” em tudo e não darmos espaço para questionamentos, nem ao menos, sabermos defender nossa opinião. Não!
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Por mais que se tenha certeza de algo, depois de estudar, questionar, tirar dúvidas, é importante saber ouvir. Quem é “convicto” nunca cresce, pois acha que já sabe o suficiente. Nunca se sabe o suficiente. Daí, a Pesquisa estar sempre aberta a novas descobertas, por exemplo. As Teorias, vez ou outra, sofrem modificações. As doutrinas são revisadas. Os alicerces são fortalecidos.
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Porém, isso não quer dizer dar bolas para qualquer tipo de fala. Não! Quando perceber que se trata de algo que já está bem acomodado e que aquilo é, na realidade, uma etapa anterior à que você se encontra, não dê atenção. Por exemplo, quando você vê o refrigerante como algo delicioso que parece matar a sede e cai bem em qualquer lanche, você nem ao menos questiona o que está bebendo, apenas vive o momento.
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Até que um dia, por curiosidade, ou necessidade, você acaba tendo de procurar saber um pouco mais. E fica sabendo dos ingredientes, das consequências do excesso de uso, etc. Você passa a enxergar o refrigerante com outros olhos e, muitas vezes, até decide não beber mais. Se alguém chega para você e argumenta que não há outra bebida mais deliciosa para se ter em um lanche com os amigos e se a pessoa não tem a menor noção de que é feito um refrigerante, você pode descartar tal argumentação feita pela pessoa, pois já haverá passado por ela e se aprofundado um pouco mais.
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Claro, se a pessoa quiser saber, você pode orientá-la, senão, deixe quieto. Que ela aprenda por si mesma. Mas, com certeza, você terá deixado uma pulga atrás de sua orelha.
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É assim em vários assuntos, em tudo. Não basta saber por saber, crer por crer, gostar por gostar, é preciso ter argumentos, mesmo que sejam para si próprio. Daí, você não ficará tremendo à menor ventania. É preciso estudar, ler, ouvir, ver outros pontos de vista. Isso é crescer intelectualmente, também.
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Aquilo que vai se transformando em nós, também vai definindo nossos pontos de vista, nossas escolhas. Não aceite apenas algo pronto. Tente entender como tal coisa foi feita. Dá um pouco de trabalho sim. Mas, depois que se começa a refletir, passa-se a exercer cidadania, a perceber que por mais que pareça pouco, o que você fizer pelo bem precisa ser feito mesmo assim. Há toda uma indústria de marketing que tenta dizer o contrário e convence pela borda.
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Mas, no que depender de você: procure boas leituras, faça boas escolhas. Elas serão você. Isso é ser livre. Ah, e quando descobrir que está errado sobre algo, tenha a humildade de reconhecer. Os verdadeiros sábios são simples.

© obvious: http://obviousmag.org/

10.19.2015

Vamos falar sobre fobia social?



Quando a timidez é tão exacerbada a ponto de prejudicar o cotidiano do indivíduo, torna-se patológica e recebe o nome de fobia social. Você já ouviu falar nesse transtorno de ansiedade?



Às vezes, você vê por aí alguém que fala tão pouco que, mesmo com uma possível convivência diária, não se sabe quem ele realmente é. E você percebe que ele se esquiva e é tão escorregadio quanto uma pista de gelo. Toda vez que um indivíduo tenta se aproximar, essa criatura das cavernas se retrai e se esconde. E você constata, também, que ela tem dificuldades para fazer coisas simples, como falar ao telefone ou pegar a pizza pedida pelo delivery. “Que pessoa estranha!”, todos pensam, enquanto apontam o dedo julgador, sem notar o quanto ela, mais do que ninguém, necessita de sua compreensão.
Todos nós conhecemos a timidez, e a consideramos, até certo ponto, “bonitinha” e graciosa. A timidez pode ser vista não necessariamente como uma qualidade, mas como uma simples característica. No entanto, quando em alta concentração, passa a ser uma patologia com nome e sobrenome: transtorno de ansiedade social, vulgo fobia social.
A fobia social é uma falha no sistema cognitivo do indivíduo com relação às interações sociais. Ao se deparar com uma situação em que tenha que lidar com outras pessoas, o fóbico percebe um perigo muito maior do que aquele que, de fato, existe. As zonas do cérebro responsáveis por nos alertar dos riscos e das ameaças, no fóbico, são acionadas frente a uma situação social, causando nele medo e ansiedade intensos, ao ponto de gerarem sintomas físicos, como tremor, sudorese, enjoo e confusão.
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Aqueles que são acometidos pelo transtorno de ansiedade social geralmente possuem pensamentos pessimistas, que, aliados aos sintomas físicos da fobia, levam o indivíduo a evitar ao máximo as situações que lhe causam a ansiedade. Assim, os fóbicos demonstram uma tendência ao isolamento: não frequentam festas ou baladas, não têm muitos amigos e desistem de possuir uma vida amorosa.
Tal comportamento gera uma grande dificuldade de criar laços afetivos, sejam eles de amizade ou amorosos. Os fóbicos são muito caseiros, o que se torna um obstáculo para conhecer novas pessoas. Mesmo nos ambientes frequentados por eles, podem se sentir desconfortáveis com os colegas por conta de comentários preconceituosos e debochados a respeito de sua conduta. Dessa maneira, isolam-se cada vez mais.
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Os fóbicos sociais, por vezes, têm uma autoestima bem problemática. Eles não se acham capazes de enfrentar as situações temidas. É por isso que alguns abandonam completamente o estilo de vida considerado normal pela sociedade: deixam de frequentar a escola ou a faculdade por medo das apresentações de trabalhos e da interação com os colegas, desistem de arrumar um emprego por temer as etapas de seleção e se considerar inaptos, se autodeclaram celibatários pela ansiedade que o objeto de desejo lhes causa.
Grande parte desses indivíduos tem consciência de que seus pensamentos negativos e medo são infundados e irracionais, mas não conseguem lutar contra eles sozinhos, porque não é fácil combater um monstro invisível. Não é frescura. Não é mimimi. Esse transtorno é sério e precisa de tratamento.
A fobia social pode ser tratada por meio de remédios, como ansiolíticos e antidepressivos, e de terapia ou psicanálise. O tratamento mais adequado é a terapia cognitivo comportamental, que busca atingir o foco do problema em vez de buscar suas causas.
Se você conhece alguém com as características descritas nesse artigo, não o julgue. Não faça chacota. Não deboche de suas poucas palavras. Tente ajudá-lo. Tenha paciência. Chame-o para sair, por mais que ele rejeite seus convites. Ele não é metido nem arrogante. Ele tem um problema que precisa ser tratado. E, durante o tratamento, toda a compreensão daqueles que o cercam é necessária como um incentivo para que ele continue lutando.



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